Ameaça a bioquimiosegurança da Europa

As mudanças climáticas estão a alterar o ambiente assim como os respectivos perigos e doenças. Há uma clara invasão dos países do sul da Europa por agentes mortais e debilitantes que, partindo de África, estão acelaradamente a destruir esta região europeia. Primeiro chegam os vectores que se vão instalando e desenvolvendo, depois vêm os agentes patogénicos mortais e debilitantes. É assim que tem ocorrido. Foram os mosquitos do género Aedes: Aedes aegypti e A. albopictus que após se desenvolverem vieram a transmitir o virús Chikungunya em Itália e da Dengue na ilha da Madeira, doenças tropicais estas, que têm ainda grande potencial de alastrar a toda a Europa do sul. Agora após a instalação e desenvolvimento de um molusco de água doce numa ilha francesa, a Córsega, assim como noutras regiões europeias, alastrou à Europa uma nova doença habitualmente tropical ou sub-tropical, a esquistossomíase urogenital causada pelo platelminta Schistossoma haematobium que desde finais de Abril de 2014 foi diagnosticada em várias pessoas que tomaram banhos de água doce nas muitas piscinas naturais das águas límpidas e transparentes do rio Cavu na Córsega.
Na realidade, a par desta contaminação das águas límpidas pelo Schistossoma há uma outra contaminação, a poluição atmosférica que se tem agravado em todo o mundo, causando nuvens de poeira e particulas em suspensão responsáveis por muitas doenças respiratórias, alérgicas e infecções. Só que o consumo descontrolado de antibióticos, tanto ao nível humano como animal, assim como a sua libertação para o ambiente, predominando nas águas dos rios e lagos chineses, tem conduzido a um agravamento da multirresistência bacteriana aos antibióticos; problema este tanto ou mais grave do que o aquecimento global. É neste contexto que surge uma ameaça global à bioquimiosegurança do mundo em geral, e da Europa do sul em particular.