Tecnologia do Cloro e Quimiohacking

Esta reflexão surge a propósito das recentes notícias sobre o gás cloro usado na Síria em Abril/Maio de 2014, já que a química dos compostos de cloro, como arma de guerra, mantém um desenvolvimento tecnológico acrescido desde o século XIX. De facto, o cloro (Cl2) começou a ser extraido industrialmente, do cloreto de sódio (NaCl), abundante na água do mar, por três diferentes processos electróliticos, desde os inícios do século XIX e logo na primeira guerra mundial e depois na segunda, foi abundantemente utilizado como arma de guerra, pela sua eficácia em matar pessoas. Desde a sua descoberta, a tecnologia dos compostos de cloro tem evoluido continuamente e novas armas, cada vez mais letais, mais mortais; continuaram a ser criadas. O gás de mostarda, quimicamente o sulfureto de bis-2-cloroetilo com fórmula (Cl - CH2 - CH2 - S - CH2 - CH2 - Cl) e outros compostos como sulfureto de dietilo ou o sulfureto de dimetilo podem ser obtidos a partir de uma sequência de reacções químicas que envolvem reagentes como bissulfureto de cloro, cloreto de enxofre, etileno, sulfureto e bissulfureto de metilo e etilo entre outros. Os processos químicos são diferentes mas todos conduzem à obtenção do temível gás de mostarda e seus semelhantes mortais. O gás de mostarda também foi usado nas guerras mundiais e além dos seus efeitos tóxicos agudos também se acrescenta o potencial mutagénico e carcinogénico. Pela contaminação ambiental e alimentar foram muito faladas, na comunicação social de finais do século XX as dioxinas; também estas resultam da indústria química do cloro sobre compostos orgânicos e aromáticos. Das muitas dezenas de dioxinas, a mais perigosa é a 2,3,7,8-tetraclorobenzo-p-dioxina; este organoclorado que apenas se sintetiza para efeitos de investigação é também conhecido como TCDD. Processos químicos como estes exigem alguma sofisticação de pesquisa e uma indústria ou laboratórios mais ou menos adaptados, no entanto, qualquer quimiohacker com curiosidade mórbida, poderá colocar-se a si próprio, em perigo, se tentar sintetizar compostos de cloro com maior ou menor tóxicidade. Na realidade todas as pessoas têm produtos de limpeza como lexívias contendo hipoclorito de sódio (NaClO) e outros contendo amoníaco ou amónia (NH3 < = >NH4+); a amónia também se pode encontrar na úrina e estes produtos quando misturados produzem cloraminas de fórmula geral R2NCl ou eventualmente tricloreto de nitrógeneo também designado tricloramina. As cloraminas são tóxicas e perigosas inclusivamente para quem as produz. O hipoclorito de sódio é formado a partir do hidróxido de sódio(NaOH) vulgarmente designado sóda cáustica, encontrado em produtos para desentupir canos; de acordo com o seguinte equilíbrio químico: 2NaOH + Cl2 < = > NaCl + NaClO + H2O resulta que se uma solução de hipoclorito de sódio for acidentalmente acidificada com ácido cloridrico(HCl), vulgarmente vendido nas casas de produtos de limpeza com a designação de ácido muriático, o equilibrio vai-se deslocar para a esquerda no sentido de produzir mais cloro, com risco acrescido de intoxicação pelo tal gás usado nas guerras mundiais.


Os compostos de cloro são das princiapis causas de intóxicações mortais, inclusivamente para quem os manuseia, pelo que a sua utilização com fins experimentais é totalmente proibida e o uso doméstico para limpeza deve seguir as regras de segurança apropriadas com informação adequada, leitura dos rótulos das embalagens e guardar longe do alcance das crianças.