Biossegurança Ameaçada

O ser humano, desde sempre, compreendeu que poderia usar outros seres vivos como armas de ataque e defesa

O ser humano, desde sempre, compreendeu que poderia usar outros seres vivos como armas de ataque e defesa. Por exemplo, o cão ainda hoje é usado, pela polícia, para dispersar multidões. No entanto, o conceito de biossegurança é muito recente e aplicado a parasitas tipo nemátodos, tremátodos etc. mas sobretudo a microorganismos como fungos, protozoários, bactérias, vírus e mais recentemente priões e outros ainda não classificados. O nível de biossegurança atribuído a um microorganismo é graduado de acordo com o perigo crescente que ele pode causar a uma população; nos países desenvolvidos é graduado até ao quarto nível; neste são incluídos os agentes biológicos, provenientes da natureza, que causam doença humana grave e mortal, além disso têm um risco elevado de propagação para a comunidade e não há profilaxia nem tratamento eficazes. Para trabalhar com agentes biológicos de nível 4 são necessários laboratórios altamente equipados, ou seja, com segurança de nível 4.

Agentes biológicos com nível de risco 4

Arenaviridae

virus Lassa

virus Guanarito

virus Junín

virus Machupo

virus Sabiá

Febre hemorrágica

Bunyaviridae

vírus febre hemorrágica Crimeia-Congo

Febre hemorrágica

Filoviridae

Generos de virus Ébola

   - vírus Ebola Costa do Marfim

   - virus Ebola Reston

   - virus Ebola Sudan

   - virus Ebola Zaire

Virus Ébola não classificados

   - virus Ebola Bundibugyo

Genero de virus Marburg

 - Vírus Marburg Lago Victoria

Febre hemorrágica

Paramyxoviridae

virus Hendra (morbillivirus Equino) virus Nipah

doença respiratória e neurológica / encefalite

Poxviridae

virus Variola (major e minor)

virus da Variola

Variola – doença mortal com pústulas típicas.

No mundo existem escassas dezenas destes laboratórios, no entanto, têm proliferado nos últimos anos. Pensa-se que, no mundo, poderá existir um ou dois laboratórios com nível de biossegurança superior a 4 e nestes seriam realizadas experiências com microorganismos de nível quatro que foram geneticamente modificados e se tornaram mais agressivos e perigosos para a humanidade ou então agentes biológicos que foram levados para laboratórios espaciais onde foram alterados assim como eventual material biológico que possa ter vindo do espaço (astrobiologia). Apesar de toda a segurança nos laboratórios de nível 4, sabe-se que ultimamente desapareceram vários destes agentes perigosos e também têm aumentado os surtos epidémicos com estes microorganismos, sobretudo em África. Além da actual pandemia de Ébola com início na Guiné em Dezembro 2013 também se iniciou em 6 de Outubro 2014, no Uganda, um surto de Febre Hemorrágica pelo vírus Marburg e neste mesmo país, assim como na República Democrática do Congo, Zâmbia, Angola, Sudão, Gabão entre outros, têm surgido vários surtos a vírus Ébola, Marburg e Lassa nos últimos 10 anos. Em Agosto de 2013 surgiu, no Uganda, Febre Hemorrágica da Criméia-Congo. Na Malásia, Singapura e parte equatorial da Austrália têm surgido surtos por Paramyxoviridae (Hendra e Nipah). Os Filovírus (Ébola e Marburg) assim como os Paramixovírus (Hendra e Nipah) pertencem à mesma ordem Mononegavírus e o seu reservatório natural parecem ser os mesmos morcegos frugívoros. Na região equatorial da América Latina têm sido encontrados Arenavírus como Guanarito, Junín, Machupo e Sabiá. A região périequatorial terrestre tem constituído o habitat natural dos mais perigosos microorganismos para o ser humano. As mudanças climáticas, com o aquecimento global, podem alterar o habitat natural destes agentes patogénicos aproximando-os das regiões desenvolvidas ocidentais; isto seria um problema mas, o maior perigo é a constante investigação científica e militar que se faz, com estes microorganismos, nos laboratórios de nível 4, pois aí, podem surgir organismos geneticamente modificados, cuja perigosidade se torne impossível de controlar pelo ser humano.