Os insectos e a biossegurança

A notícia recente, segundo a qual numa certa zona do mundo, onde se desenrola um conflito bélico, estão a aumentar casos de Leishmaniose, conduz à reflexão do uso dos insectos como arma de guerra e combate. A Leishmaniose é uma doença que cursa com uma ou várias feridas cutâneas e persistentes podendo evoluir para o envolvimento de órgãos viscerais como o baço, fígado etc. É talvez a segunda causa de morte, no mundo, por parasitas. Afecta os seres humanos, sobretudo as crianças, em regiões pobres e com baixo nível sanitário; em países com algum nível de desenvolvimento, como Portugal e outros da bacia do Mediterrâneo, afecta sobretudo os cães. Esta doença, é transmitida por um mosquito vector; um flebótomo que gosta de picar após o anoitecer. Os insectos podem ser vectores ou agentes de doença. Muitos insectos, como no caso do flebótomo da Leishmaniose, apenas as fêmeas transmitem a doença e não se deslocam mais de 250 metros, outros fazem-no para longas distâncias. No futuro, a criação e cultura organizada de insectos poderão constituir uma arma biológica fabricada por grupos de terroristas que não respeitem as leis internacionais. Nessa situação, os vectores poderiam ser criados e disseminados num ambiente natural propício ao seu desenvolvimento com transmissão de novas doenças para os seres humanos, animais e plantas; os outros insectos, agentes de doença, poderiam ser criados com a finalidade de os disseminar ou então extrair as suas toxinas perigosas para o ser humano. As autoridades internacionais responsáveis pela manutenção da segurança do mundo têm dado especial atenção aos aspectos nucleares, biológicos, químicos e radiológicos mas, no campo da segurança biológica, têm descuidado o uso dos insectos como bioterrorismo. Cumpre pois, às autoridades nacionais e internacionais, a tarefa de legislar, proibir, controlar e vigiar a produção de certos insectos que, se disseminados, constituiriam um grave risco para a saúde pública e sobrevivência das populações.